Após incêndio, aldeia recebe plantio de árvores para renovar esperança
10 de outubro de 2024Fogo castigou a região de mata da comunidade; Local abriga famílias das etnias terena, kadiwéu e guarani
Após três meses do incêndio de grandes proporções que atingiu a Aldeia Água Bonita, no Parque Tarsila do Amaral, em Campo Grande, a comunidade recebeu, na manhã desta quinta-feira (10), o plantio de mudas de árvores frutíferas do Cerrado. O local abriga 700 famílias das etnias terena, kadiwéu e guarani-kaiowá. A ação é realizada em comemoração aos 21 anos do Estatuto da Pessoa Idosa. Ao todo, 21 mudas foram plantadas.
Após três meses do incêndio de grandes proporções que atingiu a Aldeia Água Bonita, no Parque Tarsila do Amaral, em Campo Grande, a comunidade recebeu, na manhã desta quinta-feira (10), o plantio de mudas de árvores frutíferas do Cerrado. O local abriga 700 famílias das etnias terena, kadiwéu e guarani-kaiowá. A ação é realizada em comemoração aos 21 anos do Estatuto da Pessoa Idosa. Ao todo, 21 mudas foram plantadas.
Para ele, a ação fortalece as raízes da comunidade, as coisas que ficam na base. “Não é porque nós estamos aqui no contexto urbano que deixamos de praticar a nossa cultura, então nós precisamos da mata, vivemos a favor da mata e sem a mata para nós, nós não somos ninguém”.
Zenilda Pereira Gonçalves, de 55 anos, é terena e participou do plantio com a bisneta de cinco. Ela é a guardiã das mudas e conta que o plantio é como renovar a esperança.
“Uma questão de honra, saber que daqui mais um tempo vai estar tudo formado. Tem alimento para as crianças, para os netos, para os filhos e vizinhos. Porque a gente não planta só para gente. Aí, na hora da colheita, tem bastante para ajudar a saborear a fruta”. Sobre o incêndio, ela conta que o fogo acabou com a região de mata e levou os animais. “Foi muito triste e desesperador”.
Zirleide Barbosa, subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, comenta que escolheu a aldeia para comemorar os 21 anos do estatuto como uma forma de iniciar a discussão sobre o tema ‘extremos de emergências climáticas’.
“Nós juntamos os temas e aí nós trouxemos essa temática para cá porque é muito importante começar a discutir aqui em Campo Grande, junto às pessoas indígenas que já têm uma experiência de preservação, de cuidado com a natureza, então acho que a gente começa muito bem começando por uma aldeia urbana, essa discussão. Plantar 21 árvores não vai resolver imediatamente o problema que nós estamos enfrentando, mas é a maneira que nós encontramos de começar essa discussão”.
Valdecir Batista Alves, coordenador da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) em Campo Grande, que faz parte da ação, acrescenta que a reserva urbana passou recentemente por um processo de queimada e teve perda de flora e fauna.
“Então o replantio dessas árvores, ainda mais no contexto da questão de preservação ambiental, dos eixos de sustentabilidade, ele proporciona para a comunidade a recuperação dessa reserva e ainda, por serem espécies frutíferas, fornece alimento também para a comunidade, que é uma comunidade indígena e tem isso na cultura”.
Ela ressalta que a escolha das árvores frutíferas foi feita considerando o que a comunidade já plantava. “A intenção é você trazer a recuperação vegetal e também a questão da cultura indígena que é muito presente na questão do fruto nativo”.
Jairo Luiz Silva, subsecretário de Políticas Públicas para Assuntos Comunitários, contou à reportagem que a partir desta quinta-feira (10) está em curso um plano para replantar toda área que foi queimada na aldeia. A ideia é fazer isso a médio prazo com o plantio de árvores frutíferas
– CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS